Estudei a vida inteira no Colégio Regina Mundi.
Durante boa parte da minha vida estudantil, especialmente a partir dos 11 anos, eu ia de bicicleta ou caminhando pelas ruas da Zona 02 até o apartamento onde morava. Era uma rotina simples, mas que hoje ajuda a entender a relação que tenho com aquela região.
Antes disso, quem muitas vezes me buscava no colégio era meu avô materno, o Sr. Mário, da Farmácia União.
Ele chegava a bordo do seu Del Rey Ghia, fumando Minister, e quase sempre fazia o mesmo caminho pela atual Avenida São Paulo (na época a Av. São Paulo acredito eu, que era a partir da Av. Tiradentes). Na minha lembrança, a avenida ainda tinha uma configuração muito diferente da atual, especialmente no trecho próximo à bifurcação com a Tiradentes.
“Morar em frente ao parque é horrível, só tem mosquito.”
Hoje, olhando para a valorização do entorno do Parque do Ingá, essa frase parece quase inacreditável. Mas ela fazia sentido dentro daquele tempo.
O Parque do Ingá não tinha a mesma imagem urbana que tem hoje. Não era ainda esse espaço consolidado de caminhada, corrida, paisagem, lazer e desejo imobiliário. A percepção era outra.
A Zona 02 e o auge das casas amplas
Durante as décadas de 1970, 1980 e 1990, a Zona 02 foi uma das regiões residenciais mais marcantes de Maringá.
Era uma região de casas grandes, terrenos generosos, ruas tradicionais e famílias que buscavam espaço sem se afastar da área central da cidade.
A baixa de prestígio
Com o passar do tempo, o comportamento do comprador mudou. Apartamentos de alto padrão passaram a oferecer segurança, lazer completo, praticidade e menos preocupação com manutenção.
Nesse novo cenário, muitas casas antigas da Zona 02 começaram a parecer grandes demais, caras demais para manter ou desatualizadas para a vida contemporânea.
O retorno pelo retrofit
Agora, a Zona 02 volta a chamar atenção por outro motivo: não apenas pelas casas que existem, mas pelo que elas podem se tornar.
O retrofit é uma das leituras mais interessantes para a região porque muitos imóveis têm exatamente o que o mercado dificilmente consegue reproduzir hoje: terrenos grandes, boas metragens, localização consolidada e proximidade com áreas centrais.
Retrofit não é simplesmente “dar uma arrumada”. É uma decisão técnica, financeira e imobiliária.
Visão do Macoto
A Zona 02 me chama atenção porque mostra como o mercado imobiliário se movimenta em ciclos. O que um dia foi auge pode perder força. E aquilo que parecia ultrapassado pode voltar a ser desejado quando o olhar do mercado muda.
Hoje, quando olho para a região, vejo menos nostalgia e mais potencial.
Conclusão
A Zona 02 vive um novo momento. Depois de ter sido símbolo de casas imponentes em Maringá, passou por uma fase de menor protagonismo diante dos apartamentos, condomínios fechados e novos padrões de moradia.
Agora, volta ao radar por outra razão: retrofit.
No mercado imobiliário, algumas regiões não envelhecem. Elas apenas esperam uma nova leitura.
Conteúdo autoral baseado em experiência de mercado, leitura urbana de Maringá e referências públicas citadas no texto quando aplicável.